Profissionais do HRG denunciam suposta pressão para adesão a acordo e realizam mobilização nesta sexta-feira (29)
Áudios e mensagens que circulam entre os trabalhadores apontam que funcionários estariam sendo chamados individualmente para reuniões. Categoria afirma que a mobilização foi organizada após relatos de pressão para obtenção de assinaturas favoráveis à proposta da empresa
30/05/2026 01h56
Novas informações encaminhadas à redação do Agora Notícias nesta sexta-feira (29) apontam para um novo capítulo da crise envolvendo profissionais da saúde e a empresa responsável pela gestão do Hospital Regional de Guarapuava (HRG).
Segundo relatos de trabalhadores, uma mobilização foi organizada para a tarde desta sexta-feira após a circulação de áudios e mensagens que teriam aumentado a preocupação dos funcionários em relação às negociações sobre o piso salarial da enfermagem e os avisos prévios comunicados pela empresa.
A redação do Agora Notícias foi informada por profissionais da saúde que a categoria está se mobilizando na tarde desta sexta-feira (29) em frente ao Hospital Regional de Guarapuava. Segundo os trabalhadores, o objetivo é fortalecer o movimento e chamar a atenção da população para as reivindicações da enfermagem e demais funcionários da unidade.
Em mensagens que circulam entre os profissionais, os organizadores pedem apoio dos colegas e também ajuda na divulgação da mobilização para que o movimento ganhe força durante as negociações com a empresa responsável pela gestão do hospital.
“Nós precisamos do teu apoio. Estamos mobilizando o movimento para ir às 15 horas hoje no hospital para iniciar uma manifestação e correr atrás, porque eles estão ameaçando os funcionários. Os funcionários estão assinando e, se eles conseguirem mais de 50%, já era. Então é hoje e agora”, diz uma das mensagens compartilhadas entre os trabalhadores.
Áudio relata reunião com funcionários que aceitaram proposta da empresa
Outro áudio que começou a circular entre os profissionais na manhã desta sexta-feira (29) traz novas alegações sobre as negociações envolvendo a permanência da empresa na gestão do hospital.
A pessoa que gravou a mensagem pediu para não ser identificada por receio de represálias.
Segundo o relato, a direção do hospital estaria realizando reuniões apenas com funcionários que aceitaram a proposta apresentada pela empresa.
De acordo com a gravação, durante o encontro os trabalhadores teriam sido informados de que os valores retroativos seriam pagos na próxima folha de pagamento e que os avisos de rescisão seriam cancelados para aqueles que aderirem ao acordo.
Ainda conforme o áudio, os profissionais que não aceitarem a proposta permaneceriam com os desligamentos já comunicados anteriormente.
A pessoa que gravou a mensagem afirma ainda que teria sido informado aos funcionários que a empresa CIS permaneceria na gestão da unidade caso obtivesse adesão suficiente dos trabalhadores.
Segundo o relato, a apresentação dos avisos prévios teria sido uma estratégia adotada para evitar a paralisação e o movimento grevista que vinha sendo discutido pela categoria.
Trabalhadores afirmam que pressão motivou mobilização
De acordo com os profissionais, a mobilização realizada na tarde desta sexta-feira foi motivada justamente pela circulação dos áudios e pelos relatos de que alguns trabalhadores estariam sendo chamados individualmente para reuniões.
Os denunciantes afirmam que existe preocupação entre os funcionários de que colegas estejam sendo pressionados a aceitar a proposta apresentada pela empresa.
“Decidimos nos mobilizar porque estamos vendo que a pressão está sendo muito grande em cima de alguns funcionários para conseguir essas assinaturas”, relatou uma profissional à reportagem.
Segundo os trabalhadores, o entendimento é de que a empresa busca obter a adesão de pelo menos 50% dos funcionários para manter a proposta apresentada e a continuidade da gestão.
Funcionários relatam preocupação com direitos trabalhistas
Em mensagens enviadas ao Agora Notícias, profissionais também manifestaram preocupação em relação aos reflexos da proposta sobre direitos trabalhistas.
“Eles estão chamando os funcionários em poucos números para que acabem se obrigando a aceitar, sabe, na coerção”, afirmou uma trabalhadora.
Outra profissional relatou preocupação com a manutenção dos direitos vinculados ao salário registrado na carteira.
“Sem ter os direitos de ter o piso na carteira. Sem ter direito ao valor correto do FGTS, INSS, férias e tudo mais”, disse.
Ainda segundo os relatos encaminhados à reportagem, representantes da empresa teriam informado a alguns funcionários que, caso mais de 50% dos trabalhadores assinassem o acordo, a gestão permaneceria normalmente no hospital.
“Comentaram para uma funcionária que, se tiverem 50% de assinaturas, eles continuam. É isso que estão coletando”, relatou uma profissional.
Sindicato orientou que negociações ocorram com acompanhamento
As novas denúncias surgem após orientação do advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Guarapuava e Região, Victor Andrade.
Em comunicado aos profissionais, ele orientou que os trabalhadores não participem de negociações individuais sem a presença de representantes da entidade sindical.
Segundo o advogado, qualquer conversa envolvendo acordos ou negociações deve ocorrer com acompanhamento do sindicato.
Até o momento, a empresa CIS não se manifestou oficialmente sobre as novas alegações apresentadas pelos trabalhadores.
A reportagem do Agora Notícias segue acompanhando o caso e mantém o espaço aberto para manifestação da empresa, da direção do hospital e dos demais envolvidos.
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